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A Estória do Pólo Preto Parte 3

Nem precisei entrar na Citröen. Os semi-novos estavam todos expostos do lado de fora. Chuva e sol. Quem se importa com eles afinal? Bem... De imediato não veio nenhum vendedor me atender. Ate aí...fiquei feliz. Pois teria tempo de pensar e não seria pego de surpresa. Eu já havia decidido que poderia comprar um Peugeot 206. Sim! Retornei ao plano original. Quando enfim, bati os olhos num peugeotizinho preto, um vendedor magro e excessivamente ocupado ao celular. Abriu o carro e deixou com que eu me virasse a vontade. Sem largar do celular num só instante. Entrei no carro. Liguei. Senti que o motor fazia um barulhinho bom. Desliguei.
Fazer test drive?! Nem pensar. Afinal, eu iria pagar o maior mico se tentasse. Eu tinha acabado de fazer dez aulas numa auto escola especializada em motoristas que não dirigem. Estes motoristas que têm pânico de dirigir não obstante o fato de terem tirado carteira de habilitação. Eu fiz o curso rápido, por que achava que minha falta de vontade em comprar um carro podia ser medo de dirigir. Estava enganado. Eu era apenas mais um inseguro e não alguém com efetivos problemas. Mesmo assim, inseguro...Eu nunca tinha tirado um carro de lugar nenhum sem um instrutor. Nem pensei num test drive. Além disso, quando eu quis sair do carro, precisei apoiar com as duas mãos pelo lado de fora da porta pra poder sair do veículo, era fundo até. Pronto. Todos os peugeots estavam reprovados. Já tinha uma desculpa pra ir pra casa. Porque no fundo esta era a única verdade eu queria ir pra casa e esquecer o assunto. Acomodar-me na minha vida de pedestre.
Nisso, apesar de já ter comunicado pro vendedor que gostava de carros vermelhos, ele resolveu me mostrar um Pólo Preto. Bem...nunca quis um Pólo antes. Sempre me pareceu um carro sem graça. E, na minha brega opinião, custava caro demais pela pouca aparência que oferecia. No entanto, quando entrei no carro..fiquei espantado...era um monte de botão pra tudo quanto era lado. E, diferentemente do outro carro, não era fundo demais pra sentar. Não havia quase nenhum enfeite interno. Mas...eu não queria um Pólo.
Agradeci o vendedor e fui embora pra casa decepcionado.
No dia seguinte, senti que deveria passar lá e novamente olhar o Pólo Preto. Bem... Ano 2003, Pólo Preto motor 1.6... merecia uma segunda olhada. Voltei olhei, olhei. Entrei liguei o carro. E, nada de test drive. Informei ao vendedor estupefato que eu havia gostado e iria pensar no assunto. Na hora ele não conseguiu traduzir que “pensar no assunto” era chamar algum amigo que pudesse fazer o test drive comigo.
Imaginem, se eu não havia conseguido um amigo pra me levar pra ver carros à venda se eu iria conseguir um que fosse comigo fazer test drive. Depois de tentar inutilmente convencer alguns, me dei por vencido...tem horas que temos de assumir nossas vidas. E naquele dia eu resolvi assumir toda a cagada que poderia acontecer num test drive.
Muni-me de todo o heroísmo dos meus antepassados Romanos (gosto de acreditar nisso, her...se bem que Mussolini também gostava), e fui pé-ante-pé..vencendo todos os longos quatro quarteirões que separavam minha casa da concessionária. As mãos frias, geladas mesmo diria eu. O que poderia acontecer? O que?

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