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Falando de literatura e mercado editorial no Brasil

          Dia em que há tantas coisas há dizer que nem sei por onde começar a dizê-las. Começo por dizer que, na verdade, não gosto de digitar o que penso no computador, uma vez que tudo que penso - quando penso - acontece fora e longe dele. Assim, gostaria de ser organizado o bastante para levar um caderno e uma caneta e anotar; comprei um gravador digital mas a experiência fracassou por causa do Windows Vista. Acreditem, o Vista não abria os arquivos de som. Então... acabou o gravador digital.

         O difícil é desejar passar a imediaticidade das coisas para quem irá ler; eu juro, tenho pensamentos interessantes, mas eles ficam nos lugares por onde estou e passo, deixo muitos deles pelas livrarias. Cada livro novo que pego...sai uma crítica social completa. Poderia-se dizer que “nada se perde”, mas, honestamente, se perde sim. Tenho procurado um bom livro para ler. Fiquei feliz, pois relançaram vários clássicos: Alexandre Dumas, Tolstoi, Graciliano Ramos, etc. Afinal, se desejamos ler...andamos com poucas opções. Mas, incrivelmente não é por falta de número de livros. Acho que neste país nunca se publicou tanto. É pena que se publique tão poucos brasileiros, uma vez que a temporada de publicação de lixo foi oficialmente aberta, poderia haver uma chance para nós. De repente, até descobriríamos que não tem muito lixo por aqui.

           Eu não entendo nada do negócio editorial, mas às vezes parece que é só a pessoa ter um nome estrangeiro que a venda está garantida. Cansei de ler “primeiros” livros de fulano e de fulana, que eram péssimos. No entanto, saíam críticas positivas no Washington Post... Sim, estamos precisando de uma filial do Washington Post por aqui, urgentemente. Claro, que indique escritores brasileiros sejam ruins ou bons. Tô cum saudades dos bons livreiros... Aqueles dos anos 40,50 e 60 e que depois dos quais nada veio... Eram pessoas que lançavam escritores... lançavam de verdade, não era a palhaçada de hoje: fulano conhece cicrano que escreveu um livro, e beltrano publica o livro em consideração a fulano ou por dinheiro mesmo (muito dinheiro). Enfim, também tem aquele novo e velho fenômeno, se você está na mídia e é conhecido, pronto, pode escrever livro, ser publicado e vendido, se vai ser lido é um outro problema.

           Adianta mandar algum original para algum livreiro ou editor hoje? Não. Pasmem, alguns nem aceitam mais. E como eles conseguem bons escritores? Nem imagino, devem perguntar para o cara ao lado num café se ele escreveu algum romance...

           Precisamos encarar uma dura verdade: São Paulo não tem mais uma literatura regional, mesmo se o cara publicado for encontrado num café. E, nisso perdemos para qualquer estado. Achamos que somos o país... mas quem conhece um escritor que leva o epíteto de “paulista”? (epíteto = apelido) A coisa vai muito mal. Nem paulista, nem paulistano. E é uma vergonha que todos os rincões deste país sejam representados por escritores regionais, que haja prêmios regionais, e em São Paulo... “somos o país”. País, uma merda!!! Concorremos com o planeta e estamos perdendo! Se você não conhece - e não convence - um editor de verdade, não um editor de esquina, um editor mesmo, meu filho! Você vai ser lido por seus amigos, amigos estes que nem gostam de ler.

            Se você possui um monte de amigos venderá cinqüenta livros. Se não... venderá cinco. Mas o problema não é vender, né? Por que afinal, neste país ser escritor não é profissão. Só existe alguém que ganha dinheiro com isso, é a editora. Então, claro, por que fazer literatura? Melhor publicar aquilo que será vendido e comprado por impulso. Aí, serve poesia de Bruna Lombardi, romances de Vera Fischer.

           O pior é que existem aqueles pseudo-editores que exploram o mercado de escritores frustrados. Frustrados não por que não escrevem, mas por que não são lidos, não são ouvidos, não são atendidos, e nem chegam ao grande público e nem ao pequeno. Está ocorrendo uma distorção grave no mercado editorial brasileiro. E só existem perdedores nisso. O leitor é a principal vítima, perdendo gênios da literatura que não conseguem ser lidos e nem ouvidos. O editor perde dinheiro pois contenta-se com migalhas e ninguém investe na profissionalização do escritor... A verdade simples é que todos, absolutamente todos, sairiam ganhando se as editoras realmente tivessem uma política editorial séria que beneficiasse a literatura no país e não alguns amancebados, amasiados, amigados, companheiros, conhecidos de botequim, como fazem.

          Aqui nesta bosta de país um operário foi presidente da República, mas lembremos, operário é profissão. Escritor não, ninguém ganha por ser escritor, ninguém se aposenta sendo escritor. Nem parece que este mundo todo existe por que algum dia alguém escreveu: “Faça-se a luz!” Vergonha! Vergonha! Vergonha!

Comentários

Anônimo disse…
Sem palavras !Tiro o chápeu!Pura realidade!
Anônimo disse…
Olá Luiz, como estais tudo bem?

Sou de Floripa, aquela terra distante na qual você passou alguns meses.

Muito legal seu blog. Lendo seus textos lembrei-me de uma poesia que você fala sobre um homem sentado numa pedra de frete para o mar, vendo o tempo que não cessa. Acredito que esse momento foi inspirado numa praia aqui de Floripa. Você tem ele ai?

Vi que você esta como professor titular em SP. Parabéns e que seu talento seja recompensado.

Mauro.
Luiz Vadico disse…
Olá, Mauro, um grande prazer o seu contato. Acho que não tenho muitos poemas sobre homem e mar. Mas, retomando os poemas que eu tinha feito até àquela época tenho este que segue:

Só estou querendo saber quem roubou o tinteiro de Apolo. Agora ele não pode mais traçar linhas tortas ou retas, nem pode dedilhar a lira e muito menos trazer paz ou poesia para o meu coração!
Quem foi que retirou dele estas estacas com que se matam vampiros e com que se escreve o cotidiano? Quem foi que calou as corujas e passou a impedir que elas deem um pio mais soturno que em si não são mais do que um lírico canto?
Até que o responsável apareça, estarei sobre a rocha de gibraltar a examinar o s navios passantes, segurando nos ombros as colunas de Hercules, esperando que Atlas um dia venha me aliviar...

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